quarta-feira, 22 de agosto de 2012
ENTALPIA
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
enquanto 2012 não chega....

sábado, 3 de dezembro de 2011
incompatibilidades...

sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Procurando Deus

A moça que faz a limpeza lá em casa, todas as vezes que arruma meu quarto coloca a Bíblia Sagrada no meu criado mudo por cima do meu Mario Quintana, eu leio os poemas do Mario todos os dias da minha vida, e a Bíblia, bom essa eu nunca li de fundo.
Ganhei meu livro sagrado quando fiz minha primeira comunhão em 1994, tenho carinho por ele porque ganhei da minha avó Stela, ela morreu há algum tempo e deve ter ido pro céu ou alguma coisa parecida com isso e disso eu tenho a mais absoluta certeza. Me lembro que quando eu era criança e ia visitá-la lá no interior do Ceará e sempre a assistia colocando uma mesa do lado de fora da casa na hora do nosso almoço pois quem senti-se fome poderia ir até lá e comer o mesmo que nós estávamos comendo, e eu achava isso bonito sem tanto e ainda acho. Minha avó Stela era ainda mais católica do que minha amiga faxineira pelo menos é o que eu acho, porque ela rezava o rosário e dava hóstias para as pessoas durante a missa e isso é coisa de gente bem católica mesmo.
Meu pai, filho da minha avó super católica, sempre que entra no meu carro enrola apressado meu terço (que fica no retrovisor) bem pra cima e bem longe das suas vistas, é que ele é evangélico e para os evangélicos é pecado ter um objeto ou uma imagem religiosa.
Ganhei esse terço de uma colega de trabalho e interpretei como uma forma carinhosa de tentar me proteger de acidentes, assaltos ou do trânsito infernal, com o perdão do trocadilho. Parece que esse terço foi benzido por um padre importante desses que ficam conhecidos fora da comunidade e acabam gravando discos. Eu gosto do terço porque me lembra uma coisa boa e além disso ele é de madeira e tem bem cara mesmo de proteção divina, e eu nunca recuso proteção divina.
Minha mãe sempre fazia o sinal da cruz quando passava por uma igreja ou algum cortejo, acho que isso era mais mania do que religião, porque minha mãe sempre foi meio católica porque frequentava a missa, mas lia um bocado de livros espíritas.
Minha bisa Maria era espírita e seguidora de Allan kardec, isso quer dizer que ela acreditava em reencarnação e em vida após a morte e eu acho justo que ela esteja vivendo em algum lugar porque ela era uma pessoa muito sábia e sempre dizia coisas inteligentes para todo mundo repetir depois. Minha avó Cida puxou essas duas coisas da minha bisa. Pois ela é muito sábia e também é espírita. Um dia, enquanto acompanhávamos um enterro, ela me olhou e me disse bem assim: "tão natural quanto o nascimento é a morte, mas isso não quer dizer que a gente se acostume". Achei essa frase bem inteligente e muito verdadeira eu mesma nunca me acostumei nem com o nascimento nem com a morte.
Meu avô João, casado com minha avó espírita, é ateu. Eu acho que ele não conseguiu acreditar em Deus sendo comunista e lutando contra desigualdade.Quando eu era bem pequena e minha mãe me contou que meu vô era ateu eu fiquei curiosa: 'mãe o que é isso de ser ateu?' minha mãe disse 'é quando uma pessoa não acredita em Deus!' mais curiosa ainda questionei... 'Nãaaaaaaao? E acredita em que então?' e nunca vou me esquecer da resposta da minha mãe - 'Acredita em só em pessoas filha'. Na época me pareceu justo. E hoje me parece uma missão bem difícil.
Não entendo muito de religião ou na verdade nunca consegui me identificar com nenhuma mas já frequentei um bocado de templos. Fui a centros espíritas, centros de umbanda, igrejas evangélicas, pequenas capelas e até grandes catedrais! Geralmente procuramos Deus em algum momento de desespero... Comigo não foi diferente. Em uma busca frenética por respostas a um sofrimento, que hoje vejo, era meu e era inevitável, acabei me lançando sedenta por fé e é claro não obtive conforto algum nessa busca.
Mario Quintana dizia que gente que reza tem pouca fé, porque nosso senhor bem sabe o que reserva para nós. Na minha vida isso reflete algo muito verdadeiro, porque foi quando eu mais rezei e quando eu mais esperei que me senti mais desesperada e tive menos fé na vida e em mim mesma.
Hoje tenho a certeza que Deus habita dentro de mim, faço minhas orações e medido sobre um futuro melhor. Acho que estou mais calma e serena no meu caminho e isso me faz bem e consequentemente aos que me cercam. Não acredito em um destino pronto e moldado, acredito que estamos moldando nosso dia e nosso futuro, brigando por cada sorriso e de certa forma cuidando de cada suspiro que damos ou provocamos nas pessoas. E é importante que cada um tenha a exata noção do quanto uma atitude ou uma palavra influencia na sua vida e na vida de tantos.
Admiro a fé das pessoas, e é muito bom que possamos escolher livremente o que nos salvará do nosso destino certo que é a morte. Porque religião nada mais é do que uma tentativa de apaziguar a morte salvando almas e cuidando do eterno, mas é preciso ver além...
O mundo é enorme e nossa galáxia é ínfima perto de todo um universo, não entendo como as pessoas conseguem acreditar em uma verdade imposta nas paredes de um pequeno templo sem considerar a grandeza dos seres humanos e nem a complexidade dos sentimentos de todas as pessoas que habitam esse planeta, não entendo como em um mundo lotado de possibilidades e expectativas as pessoas consigam se julgar melhores do que outras por entenderem Deus de uma forma diferente. E por fim não entendo e nunca vou entender a intolerância e a arrogância, dois sentimentos tão burros e tão desastrosos em sua vaidade.
Eu no meu minúsculo mundo convivo diariamente com pessoas incríveis com as mais diversas opiniões acerca do planeta que habitam, das pessoas que lhes cercam e do Deus que idolatram. E posso dizer serena e sem medo de ser convertida em outra pessoa : Que bom que é assim! Tomara que nunca se invertam... Ou que nunca se convertam!
domingo, 30 de outubro de 2011

segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Sarcófago
Socorro!!! Berro e você inerte... Perverso!Socorro!!! Estou presa e trancafiada dentro de mim, minha pele faz margem e não consigo mais transbordar, e é quando eu mais te quero que fico assim, muda e sem ar. Me busca?
Socorro... balbucio ao vento enquanto tento te alcançar com alguma doçura! Frescura de moça boba que só quer te tocar!!!
Socorro... Meu corpo se arrepia e minha alma desfalece exausta, travo por dentro uma luta, quase física. Tento romper minha própria carne mais ela é dura!Não me lembro bem quando foi que endureci , o que sei é que já não decoro mais poemas e nem os declamo em uma cena imaginária de amor, claro que às vezes ainda fecho os olhos, mas ali fico só... sozinha fabricando o nada, me cobrindo de escuro e pressentindo alguma luz. Sou bedel cruel, carrasca de mim, e meu cárcere é privadíssimo!
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Apática
Faço minhas orações antes de dormir,
amanha é outro dia
que vai parecer o mesmo
não sei se alguém vai ouvir...
estou derretendo
e agora são meus olhos
os primeiros que escorrem!
Minha pele vem murchando
E minhas plantas morrem!
sábado, 23 de julho de 2011
Contração (in)voluntária

Era uma vez um alguém bem covarde que de tanto medo escondeu o coração no meio do estômago e o pobre do órgão perdeu o som... escorregou devagar, ficou bem preso, e hoje resta todinho enrolado no meio das tripas.
domingo, 17 de julho de 2011
Enfim trinta...

Às vezes fico olhando bem no fundo dos meus olhos no espelho até conseguir passar pro outro lado só pra ver se me enxergo melhor... e me pego dizendo ‘bom dia’ para mim mesma todas as manhas enquanto vasculho meu rosto com uma pinça num ritual bobo, que logo é interrompido por minha própria resposta agora mais encorpada e decidida de ‘bom dia Aline’.
Agora já me reconheço! Cheguei aos trinta!
E a má notícia é que, ao contrario do que eu mesmo previ aos quinze, eu ainda não estou rica, não encontrei o amor da minha vida e já tenho tufos de cabelos brancos... pior do que isso meu cabelo se mostrou vingativo além de ralo e fino justamente em protesto aquela adolescente que o maltratava com chapinhas, presilhas, luzes e parafernálias da moda, novidades de um novo século que estava por vir, e que a essa altura me parece quase o século passado.
Já no pacotão das boas novas incluem-se principalmente minhas pequenas sardas nos ombros e no busto. Simplesmente adoro minhas pintinhas! Me lembro de passar minhas mãos ainda miúdas nessas pequenas marcas no colo da minha mãe e desejá-las pra mim... E tenho orgulho de dizer que elas chegaram, e chegaram do da noite pro dia, talvez resultado de descuido com protetor solar, a questão é que não as senti nascendo e de repente aqui eu estava amadurecendo por fora.
Hoje eu sei que cada um inventa a própria receita de felicidade de acordo com seu autoconhecimento e conseguindo discernir o que julga útil e bom para sua própria vida.
Sei que eu não preciso ser rica para me sentir realizada, nem mais acredito no amor de uma vida inteira, acredito sim em amizades eternas em amores verdadeiros e em paixões de tirar o fôlego, e que (ainda bem) passam depressa... Também aprendi a aceitar e a gostar do meu corpo e dos meus cabelos precocemente grisalhos, e nós três convivemos em paz tentando nos enquadrar no que meu desejo julga necessário para nosso bem estar.
A verdade é que estou me adaptando perfeitamente aos meus trinta anos, que até agora me parecem macios e confortáveis, e se hoje eu os comemoro tanto é porque eles me trouxeram a sensação de segurança e juventude ao mesmo tempo, porque trabalho no que gosto sabendo onde estou e de onde vim, porque sei até onde o sexo pode me levar , porque aprendi a valorizar as pessoas e os pequenos momentos, porque já aprendi como meu corpo gosta de se vestir e de como meus cabelos gostam de ser tratados, porque aprendi que o orgulho quase sempre é burro e principalmente porque ainda tenho um monte de coisas pra aprender e finalmente entendi isso.
Claro que eventualmente pode até surgir uma crise dos trinta, um medo de crescer, uma “paura” de perder tempo e de gastar vida, mas nesse caso sempre vou ter minhas lindas sardas me lembrando quem sou e como cheguei até aqui.Benditas marquinhas deixadas pelo tempo.
domingo, 10 de julho de 2011
...

Escrevo por necessidade de escapar de mim e assim me desfaço em dez mil rabiscos, porque ainda preciso fugir daquilo que grito aos quatro cantos e balbucio aos cinco ventos. Hoje quero ser só silêncio ... silêncio e reticências...
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Aviso...
Acordei pensando baixinho, falando baixinho e andando bem miudinho. Queria passar despercebida, e só por hoje não vou dar satisfação nenhuma ao mundo, pretendo só existir e isso exigirá de mim muita respiração e alguma falta de apetite... Quero silencio e calmaria, vou me vestir de azul como quem pinta a própria áurea e vou passar o dia mansa, e quem ousar me atravessar hoje, aviso logo, hoje só o que vou fazer é pedir calma. Não vou falar, argumentar, brigar tão pouco me esfolar, eu não vou nada! Só peço calma... Calma!!!sábado, 21 de maio de 2011
sábado, 7 de maio de 2011
obra nova

Corro os dedos nas paredes
comparo feridas com fissuras
e estas quase já não são
quase nem me doem
não tanto...
temo meu presente sem marcas,
paredes lisas,
piso liso,
teto frio,
tremo casa branca,
transformo...
concreta que quase me torno!
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Mulher deposite aqui sua lamúria V : Dando de cara comigo!
Quando a “Vida” muda, quando tento ressurgir de mim.A sensação é de que uma bomba explodiu nos alicerces do meu eu e balançou minhas estruturas causando danos irreversíveis ao edifício da razão.E sempre me encanto mais do estrago do que da construção, e não querendo mais restaurar coisa tão mal acabada, faço obra nova dentro de mim, derrubo paredes velhas e ordeno a remoção imediata dos sentimentos entulhados!
Há pouco tempo entrei em obras, aproveitei o gancho de tantas novas coisas e novas pessoas em minha vida e comecei a quebradeira interna... de lá pra cá dei de cara com mil fases de mim, revivi fotos, desencaixotei lembranças e soprei o pó pra cima, ri de uma menina que queria ser professora na quarta serie e até ganhou concurso de redação por isso, e quase morri de saudades de uma garota romântica que aos 14 se apaixonou por Vinicius de Morais e aos 17 anos que queria ter uns seis filhos e decretava em seu diário, em página marcada por pétalas secas de girassol, com letras garrafais:“HOJE FOI A NOITE MAIS MÁGICA DA MINHA VIDA!” E acreditem as aspas se fazem necessárias.
Acabei encontrando meu equilíbrio assim mesmo desequilibrada que sou. No fim posso dizer que eu, minha forte personalidade e aquela que preciso (por vezes) representar estamos em paz. E se nosso corpo é mesmo a casa da nossa alma, acredito que a minha casa, já tenha se tornado centro de convivência. É muita mulher pra pouca pele e muito pulmão para pouco oxigênio! Ultimamente... respiro ofegante! Cansativo e muito bom sermos eu, é o que podemos concluir por hora!
( Obrigada Ivan Bueno pelas fotos deformadas =/ sabia que um dia as usaria ! rsrsrs...)

