Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012

Cor de laranja

Te conheci no escuro
Desde então tudo ganhou
Esse tom alaranjado
De fim de dia,
E de começo...
Começo de era!

Raio de sol , abórora kabuchá ,
M
amão papaia, mexerica ponkan,
Gustav Klimpt e eu fiquei assim...
N
ão vejo e não alvejo,
S
ou só beijo!

Não clareio mais
Porque estou nesse estado
S
ou alaranjada...
E
namorada!

Gotejo azul marinho
P
uro medo,
M
as aí vem você
E
me deixa assim
N
esse estado
De laranjísse aguda!

Enquanto me aquece
T
orço para que o laranja
N
ão acabe amarelando demais
P
ara que os Girassóis
P
ermaneçam vivos!
Se não por nós
Ao menos por Vincent...

Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2012

enquanto 2012 não chega....

Virei 2012 ou ele ainda está ele desvirando meu corpo do avesso em que meti esses últimos meses... sempre adorei ano novo assim como sou louca por "de manhazinha bem cedo" porque é a hora exata do encontro entre futuro e presente, como se o 'daqui a pouco' se embrulhasse para mim com papel colorido e fita dourada!
Estou tonta de tanto desenrolar vida e espreitar por meu destino.. estou cansada, não assimilo bem as coisas e me sinto doente! Passei o reveillon do jeito que acho certo, sozinha e isolada, sem telefones e sem amigos, comprei uma champanhe barata e não pensei em nada, não fiz balanço e nem me programei... chorei muito e dormi para acordar nova! O problema é que de lá pra cá virei sonambula! E me espreguiço esfregando bem os olhos mas o negócio é esse presente que nunca chega!!! Greve das boas novas? O vento continua soprando?
E já estão me falando de carnaval!....

Sábado, 3 de Dezembro de 2011

incompatibilidades...

To com aquele esmalte escuro que você gosta e assim mesmo sem hora nem menos você aparece, com mesmo ar esculachado rindo de todas das minhas calcinhas sempre pretas e da minha pele sempre tão branca! Tento te encabular com meu ar de mulher fatal que quase sou e você ri sarcástico, isso me irrita e me irrita tanto que te beijo sem ar e um dia ainda te surpreendo e te desconcerto... Logo você que é tão constante! Vou desmanchar seu rosto confiante te borrando inteiro com meu batom vermelho. Eu bem que queria te pedir pra ficar mas não dá, me digo não e te libero da minha gula, te liberto da minha fúria e desse querer desenfreado. Eu até que quase me compro um vestido bem branco e um labrador pro nosso jardim, quase que quero um casal de filhos e um Home Theater moderno, mas não poderia evitar o espelho! Não assim por tanto tempo. Isso tudo porque prefiro areia do que grama e rede do que cama!

Sexta-feira, 18 de Novembro de 2011

Procurando Deus

A moça que faz a limpeza lá em casa, todas as vezes que arruma meu quarto coloca a Bíblia Sagrada no meu criado mudo por cima do meu Mario Quintana, eu leio os poemas do Mario todos os dias da minha vida, e a Bíblia, bom essa eu nunca li de fundo.
Ganhei meu livro sagrado quando fiz minha primeira comunhão em 1994, tenho carinho por ele porque ganhei da minha avó Stela, ela morreu há algum tempo e deve ter ido pro céu ou alguma coisa parecida com isso e disso eu tenho a mais absoluta certeza. Me lembro que quando eu era criança e ia visitá-la lá no interior do Ceará e sempre a assistia colocando uma mesa do lado de fora da casa na hora do nosso almoço pois quem senti-se fome poderia ir até lá e comer o mesmo que nós estávamos comendo, e eu achava isso bonito sem tanto e ainda acho. Minha avó Stela era ainda mais católica do que minha amiga faxineira pelo menos é o que eu acho, porque ela rezava o rosário e dava hóstias para as pessoas durante a missa e isso é coisa de gente bem católica mesmo.
Meu pai, filho da minha avó super católica, sempre que entra no meu carro enrola apressado meu terço (que fica no retrovisor) bem pra cima e bem longe das suas vistas, é que ele é evangélico e para os evangélicos é pecado ter um objeto ou uma imagem religiosa.
Ganhei esse terço de uma colega de trabalho e interpretei como uma forma carinhosa de tentar me proteger de acidentes, assaltos ou do trânsito infernal, com o perdão do trocadilho. Parece que esse terço foi benzido por um padre importante desses que ficam conhecidos fora da comunidade e acabam gravando discos. Eu gosto do terço porque me lembra uma coisa boa e além disso ele é de madeira e tem bem cara mesmo de proteção divina, e eu nunca recuso proteção divina.
Minha mãe sempre fazia o sinal da cruz quando passava por uma igreja ou algum cortejo, acho que isso era mais mania do que religião, porque minha mãe sempre foi meio católica porque frequentava a missa, mas lia um bocado de livros espíritas.
Minha bisa Maria era espírita e seguidora de Allan kardec, isso quer dizer que ela acreditava em reencarnação e em vida após a morte e eu acho justo que ela esteja vivendo em algum lugar porque ela era uma pessoa muito sábia e sempre dizia coisas inteligentes para todo mundo repetir depois. Minha avó Cida puxou essas duas coisas da minha bisa. Pois ela é muito sábia e também é espírita. Um dia, enquanto acompanhávamos um enterro, ela me olhou e me disse bem assim: "tão natural quanto o nascimento é a morte, mas isso não quer dizer que a gente se acostume". Achei essa frase bem inteligente e muito verdadeira eu mesma nunca me acostumei nem com o nascimento nem com a morte.
Meu avô João, casado com minha avó espírita, é ateu. Eu acho que ele não conseguiu acreditar em Deus sendo comunista e lutando contra desigualdade.Quando eu era bem pequena e minha mãe me contou que meu vô era ateu eu fiquei curiosa: 'mãe o que é isso de ser ateu?' minha mãe disse 'é quando uma pessoa não acredita em Deus!' mais curiosa ainda questionei... 'Nãaaaaaaao? E acredita em que então?' e nunca vou me esquecer da resposta da minha mãe - 'Acredita em só em pessoas filha'. Na época me pareceu justo. E hoje me parece uma missão bem difícil.
Não entendo muito de religião ou na verdade nunca consegui me identificar com nenhuma mas já frequentei um bocado de templos. Fui a centros espíritas, centros de umbanda, igrejas evangélicas, pequenas capelas e até grandes catedrais! Geralmente procuramos Deus em algum momento de desespero... Comigo não foi diferente. Em uma busca frenética por respostas a um sofrimento, que hoje vejo, era meu e era inevitável, acabei me lançando sedenta por fé e é claro não obtive conforto algum nessa busca.
Mario Quintana dizia que gente que reza tem pouca fé, porque nosso senhor bem sabe o que reserva para nós. Na minha vida isso reflete algo muito verdadeiro, porque foi quando eu mais rezei e quando eu mais esperei que me senti mais desesperada e tive menos fé na vida e em mim mesma.
Hoje tenho a certeza que Deus habita dentro de mim, faço minhas orações e medido sobre um futuro melhor. Acho que estou mais calma e serena no meu caminho e isso me faz bem e consequentemente aos que me cercam. Não acredito em um destino pronto e moldado, acredito que estamos moldando nosso dia e nosso futuro, brigando por cada sorriso e de certa forma cuidando de cada suspiro que damos ou provocamos nas pessoas. E é importante que cada um tenha a exata noção do quanto uma atitude ou uma palavra influencia na sua vida e na vida de tantos.
Admiro a fé das pessoas, e é muito bom que possamos escolher livremente o que nos salvará do nosso destino certo que é a morte. Porque religião nada mais é do que uma tentativa de apaziguar a morte salvando almas e cuidando do eterno, mas é preciso ver além...
O mundo é enorme e nossa galáxia é ínfima perto de todo um universo, não entendo como as pessoas conseguem acreditar em uma verdade imposta nas paredes de um pequeno templo sem considerar a grandeza dos seres humanos e nem a complexidade dos sentimentos de todas as pessoas que habitam esse planeta, não entendo como em um mundo lotado de possibilidades e expectativas as pessoas consigam se julgar melhores do que outras por entenderem Deus de uma forma diferente. E por fim não entendo e nunca vou entender a intolerância e a arrogância, dois sentimentos tão burros e tão desastrosos em sua vaidade.
Eu no meu minúsculo mundo convivo diariamente com pessoas incríveis com as mais diversas opiniões acerca do planeta que habitam, das pessoas que lhes cercam e do Deus que idolatram. E posso dizer serena e sem medo de ser convertida em outra pessoa : Que bom que é assim! Tomara que nunca se invertam... Ou que nunca se convertam!

Domingo, 13 de Novembro de 2011

Confissão

Destino sem jeito
Eu ter me feito
Refém dos teus caprichos
E quando não me toca viro lixo!
Destino cruel
Que me traz teu mel na boca
Toda vez que te penso meu
Não sei bem o que me acometeu
Ou o que te deu para ficar assim
Desfilando perverso e lindo
Em meus pensamentos,
Sei que me atormento na duvida
Entre te querer com minha alma
E perder a calma toda vez que procuro te esquecer
Destino traçado
De te ver sem te tocar
De te ter e não poder te contar!

Domingo, 6 de Novembro de 2011

Do bolor que se sente


Esbarro sem querer
Naquele beijo afobado,
Morno de lingua
E seco de saliva
Que você me deu
No meio de uma tarde de segunda feira!
Beijo com jeito de passado
Beijo mofado
Com gosto de não vai mais acontecer...
Não sei quando foi que rendi
Minha boca
A qualquer vontade besta,
Agora só vou querer
Beijo de sexta a noite,
Molhado e com gosto novo
Gosto fresco de hoje
Sem pressa de agora!

Domingo, 30 de Outubro de 2011







A vida nos traz belas surpresas ... é preciso estar atento! Eu fico aqui abrindo impaciente meu presente antes que o passado me roube o dia e o futuro me roube destino!

Sábado, 22 de Outubro de 2011

Acordo

“fica muito bem em cinema... só vamos então deixar combinado aqui a vida é real!”

De agora por diante fica combinado só a verdade, não suporto veludos molhados e gente escorregadia, isso é pura covardia! Três beijinhos me enojam e tenho asco de tapinhas nas costas, agora ninguém me encosta que não to aqui para levar sermão muito menos vou servir de muro da lamentação!Vou cometer sincericídio e expulsar gente que mente do meu convívio, meu sorriso amarelo escorregou, derreteu e sumiu do meu rosto pálido de agora em diante só será válido ser sincero, menos falsidade é o que eu espero!

Segunda-feira, 10 de Outubro de 2011

Ódio Arretado

Te sinto um ódio danado,
Porque meu sangue é nordestino e arretado,
E só de te lembrar cínico do seu jeito
Me vem um despeito
E me da, bem muita, vontade de morder...
Me aboleta essa dor bruta
Bem mermo no osso da minha fuça
E pronto!
Te quero dilacerado...
Morto e estilhaçado
Moído feito farinha
Você bem preso em boca minha.

Terça-feira, 13 de Setembro de 2011

FELICIDADE

Minha mãe acaba de completar 51 anos. E essa madrugada me parece muito mais longa! Comecei a pensar em nossa história enquanto fazia orações mil tentando resumir em pedidos esse imenso amor que me preenche a vida inteira.
Sabe aquela sensação de que “eu era feliz e não sabia”? Nunca aconteceu comigo! Sabe aquele céu azul cheio de tirinhas brancas de nuvens como se o céu tivesse talhado? Sabe aquela brisa fresca? A lua cheia? Eu noto! Eu noto sempre!
E eu sinto... As primeiras gotinhas do chuveiro na pele cansada do dia ... eu sinto! O cheiro da manhã molhadinha de orvalho (melhor cheiro do mundo)... eu respiro, e respiro fundo!!!
E aqui a lista é grande de tudo que me deixa enamorada: jabuticabeira florida, bossa nova de tardezinha, pés descalço, a batida de pé do flamenco, poesia mansa de Mario Quintana, lavar o cabelo com shampo cheiroso.
Por muito tempo me achei Poliana demais, Alice exagerada, acomodada até, com mania besta de felicidade curtida!
Hoje eu sei que isso tudo é herança e isso tudo me manteve desperta ainda que sempre avoada. Foi ela, minha mãe e meu verdadeiro elo com o mundo, quem me deixou nesse estado de sonho induzido e com isso me manteve viva!
Aos 41 anos minha mãe sofreu um acidente vascular cerebral que acabou a deixando em estado permanente de dependência física e psicológica (nesse ultimo ponto não tão diferente de qualquer ser humano). Um crime! Um absurdo, uma violência, mas acima de tudo um desperdício. Desperdício pro mundo!
Eu aqui quase morro de saudades... Saudades das crises de riso na hora do almoço que acabavam interrompendo nossas refeições a medida que o xixi escorria solto por debaixo da mesa. Saudades das crises existenciais seguidas de choro dramático e deboche da própria cara! Saudades da loucura da faxina aos domingos às dez da noite! Saudades da pureza e do abrandamento como se o mundo fosse feito de amor e como se tudo fosse sempre claro e bom! Saudade do nosso bolo de maconha e nossos delírios com Anne Frank! Saudades dos banhos de chuva, saudades da lasanha suculenta e do pão de queijo borrachudo!
Quase morro é eufemismo da minha parte, a verdade é que já morri um bocado e um pouco. Morri para o natal e para esperança, morri para o final feliz e morri para o eterno. Hoje quase nunca fico triste, não me permito, e isso me dói anestesiado.Vivo o momento por não acreditar no futuro. Sei que isso é duro de se ler mas o caso é que o presente me basta e acaba me completando, o passado me alenta e sou feliz. Não consigo emagrecer e não ligo pra juntar dinheiro, gosto do mundo de mim e dos amigos que conquistei pela vida e é simples assim.
Aprendo todos os dias com minha mãe que é minha razão de vida e não me canso de dizer o quanto ela é exemplo. Mamãe ri o dia todo e nunca se lamuria ou se penaliza, claro que as vezes suspira fundo e exausta e isso me corta um bocado, mas são só hiatos, segundos de um descanso merecido.
Nós passamos um tempo incrível juntas e por esse tempo sou imensamente grata, porque é como se a nós tivessem sidos concedidos acréscimos de um segundo tempo conturbado de vida e temos que aproveitar ao máximo cada minuto dessa união que é mágica! E estamos aproveitando... amamos ouvir musica e chupar picolé de coco.